Com R$ 40 do lanche, paulistanense investe no Free Fire e monta time com lucro de R$ 250 mil no game

Atendente de telemarketing de uma empresa, José Carlos perdeu o emprego há três anos e voltou para a sua cidade-natal no interior do Piauí, em Paulistana, cerca de 480km da capital. Desempregado, ele acabou conhecendo o Free Fire e resolveu apostar no cenário dos esportes eletrônicos, ao perceber o potencial do game. E a história desse piauiense mudou com R$ 40, dinheiro do lanche, que se transformaram em um faturamento de R$ 250 mil só em 2020.


Junto com amigos, José Carlos criou uma guilda (grupo de jogadores) no Piauí. Com pouca grana para fazer inscrições em torneios, o gamer tirava dinheiro do lanche, e com R$ 30 ou R$ 40 pagava campeonatos de FF, que à época rendia premiações de R$ 300. Com esses R$ 40, começaram a vir os títulos. Mais um, mais outro... E, assim, deu origem ao “Oz Trutas”, organização que conseguiu em 2021 o maior feito: subir para a divisão de acesso, a Série B, da Liga Brasileira de Free Fire (LBFF).


- Sem capital inicial, sem nada, juntei meus amigos e criamos a guilda. No início, eu era o designer e tudo. Tínhamos uma equipe bastante competitiva, devido muito tempo jogando juntos. Tinha uns R$ 40, e tirava o dinheiro do lanche para pagar campeonatos amadores. Com esses R$ 40, vieram três títulos, dinheiro para o caixa e continuei investindo em campeonatos. Começamos a realizar a Copa Oz Trutas para arrecadar dinheiro, manter a guilda - recordou José.

De um time sem dinheiro, o Oz Trutas virou uma organização organizada de Free Fire que tem ganhado atenção no Nordeste. Hoje, José Carlos atua como coach e proprietário do grupo, que só em 2020 faturou mais de R$ 250 mil em premiações de campeonatos de FF.


"O Free Fire é tudo na minha vida. Hoje, me sinto muito orgulhoso em fazer parte dos sonhos de rapazes de 14 e 15 anos, que têm apoio da família porque começaram a ver que é uma profissão. Tem membro que já chegou a faturar R$ 4 mil, R$ 5 mil, em um mês, com seus 15 anos. Hoje, eles ajudam dentro de casa nas despesas, têm as obrigações, treinos... E a família acredita que realmente eles podem chegar onde almejam", contou José.


"Aqui (no Piauí), poucas pessoas reconhecem nossos esforços. Hoje, graças a Deus, conseguimos manter a equipe com 49 membros, com oito contratos mensais. Ninguém acreditava que eu poderia chegar tão longe. Então, lutei. Acreditei só, hoje muitas pessoas falam: ‘OzTrutas vai para o Mundial’. Só acreditam porque mostramos em campo, quando eliminamos 91 mil equipes", completou.

A organização foi crescendo, e hoje a Oz Trutas é dividida em várias áreas. José é o líder geral, que tem apoio de outros membros que organizam treinos, cuidam da parte de mídias e realizada recrutamentos.


"Quando iniciei como organização, meu sonho sempre era jogar uma LBFF. Apenas jogar, mas ao longo dos meses, fui passando e cobrando muitos resultados. De tantas cobranças e cobranças, começamos a jogar a um nível igual ou até maior que equipes que têm um suporte financeiro e até aparelhos melhores. Meu sonho já foi realizado, estar entre as elites nacionais, mas eu vejo que somos capazes de ir mais longe", projetou.


O piauiense iniciou no eSports com notebook emprestado. Com o sucesso no universo competitivo do Free Fire, a renda mensal do gamer varia de R$ 8 mil a R$ 12 mil.


"Comprei um PC gamer, que não tinha, avaliado em R$ 19 mil. Uma televisão para o meu quarto de 75 polegadas. Tudo para o meu conforto, eu investi porque passo o dia em frente ao computador. Antigamente, jogávamos campeonatos amadores para ganhar dinheiro. Hoje, jogamos campeonatos para treinar e colocar tudo em prática nas ligas", disse José Carlos.

O Oz Trutas definiu a line-up da Série B da Liga Brasileira de Free Fire (LBFF). Alpha, Ventura, Fooxita e Hawking formam o time piauiense na competição – são dois players do Piauí (das cidades de Picos e Oeiras) e os outros dois de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em junho, a formação se reúne na Cidade Maravilhosa para se concentrar exclusivamente para a LBFF B.


Inspirado em Rodrigo Fernandes, o El Gato, streamer fenômeno no Free Fire, o ex-desempregado que hoje comanda uma potencial organização de FF do Nordeste quer mais.


"Chamavam de louco, todos riam. São dois anos sem dormir praticamente, trabalhando 24h por dia, com resultados. Sou muito grato por tudo. Meu maior sonho era chegar na ELITE B, jogamos por amor. A LBFF B já ofereceram para comprar nossa vaga por R$ 200 mil esse mês, mas optamos por jogar e tentar subir para o mundial", projetou o piauiense.

Fonte: Globo Esporte

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