Paulistana: time de CS:GO supera improvisos de jogar o game e quer colocar região no mapa do eSports

Do sertão piauiense, da cidade de Paulistana, cerca de 480km da capital Teresina, vem a base de um dos times que disputam o Campeonato Nordestino de CS:GO de 2021. Os jogadores que antes faziam torneios de Counter-Strike: Global Offensive improvisados, duas vezes por ano, em sítios e casas de amigos, cada um levando seu PC, com mesas/cadeiras plásticas, se orgulham hoje de terem construído uma equipe para iniciar entrada no cenário profissional competitivo do game.


A paixão pelo CS:GO construiu algo que foi bem além da amizade de um engenheiro cartógrafo e agrimensor; dois técnicos de informática; um estudante e mais um designer e publicitário. Juntos, eles formam o MultiEsports, time com sede em Paulistana que participará agora em abril do desafio de encarar o “Nordestão de CS:GO”.


- Nos juntamos para jogar depois das 21h até 24h, não conseguimos esticar mais justamente por causa da rotina de todos – contou Igor “And1”, ao falar sobre a rotina de treinos.

Além de And1, a lineup da equipe para o Campeonato Nordestino de CS:GO conta com Mateus "mtz" Henrique, Ícaro "Icarus" Thaynam, Tulio "Randall" Dasmasceno, Onnaldo "Necator" Coelho e Marcos "Venoux" Renan (CEO/manager do time).


Necator jogava CS com And1 desde 2008. Depois dos estudos em Teresina, voltou para Paulistana, época que o jogo caiu no gosto. A cidade, lá em 2015, sequer tinha lan houses ou internet.


O primeiro campeonato de CS:GO do time, antes com o nome de CTK, foi a BSL, em 2017. Mesmo com pouco tempo no game, eles resolveram arriscar participar de uma competição. A dificuldade para chegar em Teresina, sede do evento, foi vencida pela persistência pelo grupo. Aliás, o empenho nunca faltou por lá.

Para viajarem de Paulistana, eles bateram de porta em porta dos comerciantes da cidade, pedindo dinheiro. Os nicks dos players no jogo serviram até de “outdoor” para os patrocinadores locais - e, convencendo os empresários locais, deu certo o embarque. Graças a isso, um dos competidores conheceu um shopping center pela primeira vez.


- Na época, conseguimos R$500 para pagar o transporte de ida e volta dos que moravam em Paulistana. Eram quatro jogadores, eu morava em Teresina. A hospedagem, a gente se virou dividindo na casa de amigos e parentes daqui. Foi um sufoco, mas deu certo. Apesar do pouco tempo de game dos jogadores, conseguimos avançar para a fase presencial. Galera fez muito esforço para vir, correram atrás de comerciantes locais para ajudar nas passagens – contou Igor.


Um de nossos players nunca tinha vindo ao shopping na capital, e a gente falava que ia ser nesse campeonato que ele ia vir. Foi tanta brincadeira com isso, que deu certo (risos). No round decisivo (que garantiu o time na etapa presencial), a gente escutou ele falando: "Mãe, vou para o shopping!” – completou.


A responsabilidade agora é maior. Na Série A do “Nordestão de CS:GO”, diante de rivais de toda a região, com mais competitividade, Igor "and1" Bruno consegue enxergar algo além da competição: fazer com que mais gente da cidade do sertão do Piauí se interesse pelos esportes eletrônicos.

- Com a divulgação que a gente fazia em portais locais e nas nossas redes sociais, a gente viu não só amigos e parentes, mas muito mais gente da cidade querendo se inteirar do assunto, querendo acompanhar os jogos. Eles sabem que somos o único time da cidade/região jogando um campeonato com tamanha visibilidade e apoiam. Representar essas pessoas e a cidade/região é muito legal por eles – analisou.


E a cidade com pouco mais de 20 mil habitantes está sim bem representada.


- Quem ver um time da região jogando um campeonato grande, vê uma chance nova de um dia aparecer. A gente sabe da dificuldade que será o Campeonato Nordestino pelo nível dos times que participarão. Estamos treinando e nos esforçando ao máximo para retribuir o apoio que temos e para que nossa região se consolide no cenário de CS:GO piauiense e do Nordeste – concluiu Igor.


Fonte: Globo Esporte

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